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                                                                           Introdução                                                                         A Farmácia Homeopática surgiu segundo a previsão de Hahnemann (§271 Organon da Arte de Curar) devido à impossibilidade dos próprios médicos prepararem seus medicamentos. O que ele não previu foi que nem os médicos, nem os farmacêuticos não compreenderiam totalmente os princípios de sua ciência e, desta forma, em parte por incapacidade, em parte por desonestidade, tanto um com outro misturam as duas escolas, a Homeopatia e a Alopatia, não fazendo nem uma, nem outra. Eles arrumam desculpas de toda sorte para justificar seus feitos, como que os princípios da Homeopatia estão ultrapassados e, por conseguinte, precisam se adaptar aos da alopatia moderna chamada medicina científica, expressando-se com frases do tipo "Antes de sermos homeopatas somos médicos". Classificam a Homeopatia como uma especialidade médica ou farmacêutica; como uma opção para seus clientes escolherem como alternativa de tratamento em casos de gripe ou resfriados, sendo que, em casos sérios, o paciente termina internado em um hospital comum. Que médico quer tratar de doente? Gente assim dá trabalho! e, como eles vão fazer nos seus fins de semana, feriados ou de madrugada, se tiverem que tratar de pessoas doentes? Como eles vão justificar a sua imcompetência se tiverem que usar da Homeopatia, uma ciência que é preciso de dedicação e raciocínio para obter resultados favoráveis, quando estes são possíveis? Então alopatia neles senhores... e quando um infeliz paciente desses doutores chega ao hospital comum, não tardam os deboches nos corredores, ridicularizando a Homeopatia. Sim, porque quando as coisas não vão bem na Homeopatia, a culpa é dela, já na Alopatia, quando as coisas não vão bem, a culpa é sempre do médico e nunca da doutrina alopática, se é que existe uma.

    Este tipo de comportamento é o mesmo com relação aos farmacêuticos que separam um espaço em suas farmácias alopáticas para os medicamentos homeopáticos, servindo os pacientes desses doutores, que trazem com eles suas receitas com uma enorme quantidade de medicamentos tanto homeopáticos quanto alopáticos, dando a impressão que ambos se completam.

    Desta forma, são raras as farmácias especiais, ou seja, aquelas que se dedicam exclusivamente a Homeopatia, sendo esta justamente uma da condições necessárias para se avaliar uma farmácia como verdadeiramente Homeopática e, portanto, digna de confiança ao verdadeiro médico homeopata.

    Coube ao próprio mestre de Meissen a criação, desenvolvimento, aperfeiçoamento e sistematização da Farmacotécnica homeopática, e de sua doutrina como um todo, em todos os seus pontos restando-nos apenas a incumbência de seguir - "fiel e acuradamente" - seus ensinamentos.

    A evolução da doutrina homeopática não pode contradizer seus postulados fundamentais e, assim foi durante todo período de sua elaboração por Hahnemann. Da mesma forma que a matemática moderna não nega a aritmética básica, a homeopatia de nossos dias não pode caminhar contra os seus princípios e se tornar algo confuso e, portanto inútil para o fim a que foi destinada.

    Apesar de parecer redundância, hoje para se referir à verdadeira homeopatia diz-se "homeopatia hahnemanniana", em contrapartida a escolas criadas devido a interpretações e observações que as levam em sentido totalmente diferentes aos proposto por Hahnemann, distanciando-se cada vez mais do caminho trilhado por verdadeiros médicos homeopatas, que tantas pessoas buscam, mas com tantas possibilidades de encontrá-los, como tinha Diógenes de encontrar o Homem...

    O que caracteriza o medicamento homeopático é a sua preparação e sua indicação. A sua indicação é feita pela semelhança de seus sintomas apresentados em sua experimentação em pessoas saudáveis, em relação aos sintomas apresentados pelo doente. A relação de sintomas apresentados pelo medicamento constitui o que se chama de Patogenesia e, o conjunto de patogenesias de diversos medicamentos experimentados está descrito na Matéria Médica.

    A preparação do medicamento homeopático foi descrita por Hahnemann e constitui o que se chama Dinamização, cujo método está nos seus livros fundamentais que expõe sua Doutrina. As particularidades que se referem ao preparo das formas farmacêuticas básicas, quanto à obtenção e preparo da matéria prima, estão descritas nas Matéria Médicas, e devem ser rigorosamente observadas e seguidas, para não comprometer o resultado final, que constitui a sua patogenesia, condição essa essencial para a indicação terapêutica.

      A reprodução no processo destas preparações, implica em ter um medicamento capaz de ser usado como um remédio desde que se indicado de forma correto, eliminando sintomas indubitavetavelente patológicos, característicos e específicos, sendo capaz de quando possível levar à cura.

     Tal reprodutibilidade buscada com tanto afinco pela "medicina científica" nunca pôde ser alcançada, reproduzindo-se medicamentos da moda (moda galênica), que considera princípios ativos isolados e estudados em laboratório (in vitro) e testados em animais, cuju resultados são publicados em suas "revistas científica", sendo que, tais medicamentos são receitados pelos médicos segundo orientação do propagandista da indústria farmacêutica. Eis a ciência...

   A Homeopatia, de outro lado, que considera como único meio de se usar medicamentos de forma racional, o conhecimento prévio seus efeitos através da experimentação em indivíduos sãos (in vivo), é considerada como um medicina não científica e, pior, aqueles que se dizem seus adeptos e que a representam nos meios oficiais, se esforçam para torná-la tão "científica" quanto a alopatia, se esforçando para unir as duas como medicina complementares, caído no ridículo não só perante aos verdadeiros médicos homeopatas, quanto àqueles médicos honestos que se esforçam para seguir a doutrina alopática, como se isso fosse possível.

    Observar os princípios da Homeopatia de forma acurada, tanto no que se refere ao preparo, quanto à indicação, permite uma aplicação prática e racional da Medicina, sendo que, assim médicos e farmacêuticos podem trabalhar juntos de forma concreta, objetiva, sem se perderem em especulações teóricas para atingir o fim almeijado - "o restabelecimento da saúde, o que se chama curar".