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Tintura mãe 

(T.M.) 

     A Tintura Mãe foi desenvolvida por Hahnemann para extrair princípios curativos dos vegetais, através de álcool, para serem administrados desta forma e, depois como ponto de partida para o processo de dinamização.

     Na preparação das tinturas deve-se observar em quais categorias as plantas se encaixam, a saber: TIPO DE VEGETAL (vegetais muito suculentos; suculentos com excesso de albumina; suculentos com mucosidade; poucos suculentos e vegetais secos.), PARTES A SER UTILIZADAS, (planta inteira, flores, raízes, casca, sementes etc.), ÉPOCA DE COLHEITA E SUA ORIGEM. As técnicas de preparação das tinturas, de acordo com a classificação das plantas são descritas nos parágrafos 267 a 269 do ORGANON DA ARTE DE CURAR 6ª ed. - Hahnemann, ou nas respectivas matérias médicas, de medicamentos preparados por outros experimentadores.

Plantas obtidas frescas cujo suco pode ser extraído sem o concurso de álcool  (§267)

Com muito suco 

Belladonna (álc. a 50% - f.m.= ½)

    "O suco fresco espremido de toda planta no início de sua florescência, misturado com partes iguais de álcool retificado."... "A planta colhida no jardim (num solo um tanto seco e preferencialmente na inclinação de uma montanha) é pouco, senão no todo, inferior, em poder medicinal em relação a planta silvestre"... "Duas gotas do suco misturado com partes iguais de álcool, tomadas juntas (como com outros sucos vejetais), e agitadas 99 a 100 (98) gotas de álcool, por duas (100) batidas descendentes do braço (cuja mão segura o braço de mistura) dá uma diluição centesimal potencializada"... - Mat. Méd. de Hahnemann.

                                                      Pulsatilla nigricans (álc. a 50% - f.m.= ½)

   O suco espremido da planta inteira verde e fresca, misturado com partes iguais de álcool através de agitação. Depois que o precipitado se depositou, o fluido claro é retirado por decantação. T.M. ? C1: Deste duas gotas são pingadas dentro do primeiro dos trinta frascos de diluição (cada um cheio três quartos completos com 99 gotas de álcool...), vol. II, 3ª ed. 1833.                                                                                              Obs.: Força medicamentosa ½ (§ 270, 5ª ed.), adequação dos dois terços do frasco, com álcool diluído.          1° parte de suco + 1° parte de álcool = ½ (suco diluído pela metade) - §  1

PLANTAS CUJO SUCO É EXTRAÍDO COM CONCURSO DE ÁLCOOL (MACERAÇÃO)

PLANTAS COM MUITO MUCO E EXCESSO DE ALBUMINA 

THUYA OCCIDENTALIS (álc. a 50% - f.m.= ½) 

   As folhas verdes da thuja occidentalis* são primeiro amassadas entre si até uma fina polpa, depois agitadas com dois terços de seu peso em álcool, (nesta fase tritura-se com vigor), junta-se o álcool restante, amassa-se tudo vigorosamente no almofariz e seu suco espremido em um pano de linho deixa-se em repouso pooito dias e filtra-se. (vol. V, 2ª ed. 1826).

1 parte da planta + 2/3 de seu peso em álcool  + restante do álcool = l parte de álcool e planta.
Força medicamentosa = ½, Schuwabe* - § 2


PLANTA DEFICIENTES EM SUCO

peso em álcool

SCILLA (álc. a 60% - f.m.=1/6)

   A fim de fazer a solução de albarrã em álcool, a maneira mais simples e melhor é cortar um pedaço fresco de 100 grãos em peso de um bulbo muito fresco de albarrã, triturá-lo num almofariz, gradualmente acrescentando 100 gotas de álcool, até que se torne uma papa fina uniforme, então diluí-la e misturá-la completamente com 500 gotas de álcool; deixar que se descanse por alguns dias, para que se prepare por decantação a clara tintura amarronzada sobrenadante.

100 grãos da substância. 600 gotas de álcool. 100 grãos da subst. para 300 grãos de álcool.

( 2 gotas de álcool retificado equivale
a 1 grão pelo Schuwabe.). Portanto 1 para 3

Obs.: Hahnemann usou 6 gotas da T.M. para 94 gotas de álcool. (peso volume).                                             Força medicamentosa: 1/6 - Schuwabe - § 3


PLANTAS SECAS (§268)

Tinturas preparadas com 5 partes em peso de álcool retificado

SPIGELIA (álc. a 96% - f.m.=1/10)

   A tintura feita ao se macerar durante uma semana, sem calor e com um sacudir diário, cinquenta grãos do pó da planta inteira em 500 gotas de álcool (vol. V, 2ª ed. 1826). 

50 grãos para 500 gotas de álcool (peso - volume).

1 - 10

50 grãos para 250 grãos (peso - peso).

1 - 5 c.q.d.

STAPHISAGRIA (álc. a 96% - f.m.=1/10)

    Ex.: Staphisagria: Um dracma das sementes de Delphinium Staphisagria é pulverizado, junto com uma quantidade igual de giz (com o propósito de absorver o óleo), e macerado, sem calos e sucussão diária, por uma semana em 600 gotas de álcool, a fim de formar a tintura.

1 dracma = 60 grãos

600gotas = 300 grãos

60 para 300

1 - 5 c. q. d.

Força medicamentosa = 1/10 - Schuwabe: pág.:28 Regra - § 4

   Obs.: Os parágrafos mencionados acima (§1, §2, §3, §4) referem-se a farmacoténica alemã de Schwabe*, onde ele procura relacionar todas tinturas preparadas por Hahnemann em cada um destes parágrafos. Desta forma procurou ele manter a uniformidade das técnicas empregadas na preparação dos medicamentos homeopáticos, neste caso de origem vegetal.

 §1 e §2 - extratos obtidos sem o concurso de álcool.                                                                                            §3 e §4 - extratos obtidos com o concurso de álcool (maceração).

DINAMIZAÇÃO (T.M. → C1)

 Devem-se observar quatro pontos fundamentais:

  1. Graduação alcoólica: O veículo (álcool) a ser utilizado para a dinamização deve ser igual ao da T.M.

  2. Força medicamentosa: É a correção que se faz com referência a diluição da substância a ser dinamizada em relação ao veículo, mantendo a proporção 1/100. 

  3. Volume máximo da solução no frasco: No máximo 2/3 do frasco a ser preenchido com a solução a ser dinamizada. 

  4. Aplicar 100 sucussões manuais, sem se empregar muita força.